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Saúde Mental da Mulher
 

SÉRIE: DROGAS E GRAVIDEZ-ARTIGO1

Em linhas gerais, precisamos, em primeiro lugar, conceituar o que é droga. Há drogas nocivas, sem fins terapêuticos e há outras drogas, que embora possam causar danos (caso não sejam administradas corretamente), têm uma função terapêutica importante, principalmente, em gestantes com transtornos afetivos- como depressão e transtorno afetivo bipolar. Cerca de 20% das gestantes podem desenvolver tais quadros psiquiátricos durante a gravidez (depressão unipolar e bipolar) e é importante que tais drogas (medicamentos) e seus riscos também sejam abordados.

 

Nem toda droga causa dependência (isso não se refere jamais à maconha, ao cigarro, ao álcool, à heroína e cocaína, para citar), mas sim aos antidepressivos e estabilizadores de humor que têm fins terapêuticos.

 

Toda substância que atue no sistema nervoso central (SNC), modificando o seu funcionamento e alterando a sua neurobioquímica pode ser considera uma droga. As drogas atuam em locais diferentes do SNC, em receptores cerebrais distintos, em mensageiros químicos cerebrais (neurotransmissores) também diferentes e podem gerar alterações de comportamento variadas. Além dos aspectos biológicos, propriamente ditos, temos a importância da interação do social e cultural, além da personalidade, na dependência de uma determinada droga como, por exemplo, a maconha e o álcool. Em outras drogas, como a cocaína e a nicotina, o potencial de dependência, por si só, é altíssimo.

 

De uma forma geral, não acho benéfico falarmos em drogas pesadas ou leves (excetuando-se, é claro, os medicamentos já citados). Não há drogas mais inocentes, que mereçam, durante a gravidez, uma maior permissividade ou passividade dos profissionais médicos.

 

A maconha vem sendo sempre inocentada por artistas e intelectuais que desconhecem os últimos trabalhos científicos sérios.  O princípio ativo é o THC (tetrahidrocanabinol) e pode causar dependência, ao contrário do que pensam alguns. Contribuem para fatores de ordem biológica, psicológica e social. Geralmente, as jovens começam a utilizá-la por curiosidade, com o intuito de socialização e relaxamento. Embora não seja propriamente uma porta de entrada para outras drogas, seu uso pode ser bastante problemático. Os principais riscos envolvidos são: 1) déficit cognitivo (alteração de memória), prejudicando o funcionamento intelectual da jovem e podendo prejudicar a função cognitiva do seu filho; 2) síndrome avolitiva (perda da motivação, interesse ou desânimo em atividades habituais o que pode levar a prejuízos similares também no feto, até com hipoatividade e bradicardia- diminuição da freqüência cardíaca); 3) efeito alucinógeno; 4) problemas respiratórios e câncer (um baseado equivale a sete cigarros); 5) esquizofrenia em pessoas com predisposição, um efeito extremamente grave e incapacitante para o resto da vida. Mulheres que usam maconha na adolescência têm um risco maior para depressão e transtornos ansiosos, segundo pesquisas atuais. Pode, sim, prejudicar não só o desenvolvimento do bebê, como também gerar seqüelas cognitivas e psicológicas futuras durante a infância.

 

Quanto ao cigarro, uma em cada cinco mulheres fumam durante a gravidez. Como a nicotina reduz o fluxo sanguíneo placentário, há sérios danos ao feto, como baixo peso ao nascer, parto prematuro e até abortamento espontâneo. Se não bastassem tais malefícios, temos trabalhos consistentes que demonstram que a nicotina, durante a gravidez, pode predispor, mais tarde, durante a adolescência, ao transtorno de conduta e de hiperatividade com déficit atencional no filho gerado sob tais condições, levando-o ao caminho das drogas e delinqüência. Esse é um dado muito sério. No próximo artigo, continuaremos a série abordando os efeitos do álcool e da cocaína durante a gravidez.    



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 22h12
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DEPRESSÃO E DERRAME

A incidência da doença em pacientes que sofreram acidente vascular cerebral é alta e preocupante Pacientes que sofreram AVC, o conhecido acidente vascular cerebral ou “derrame”, costumam ter uma chance maior de depressão. Segundo um estudo atual realizado por Renato Marchetti e colaboradores, a prevalência de depressão nesse subgrupo de pacientes é de 35,5% dos internados, com pico de incidência entre o terceiro e o sexto mês após o derrame. O problema é que o diagnóstico é insatisfatório, ou seja, grande parte de tais pacientes não são tratados da depressão.

Entre os fatores que funcionam como gatilhos para a depressão pós-AVC incluem-se o estresse gerado pelas limitações físicas causadas pela doença neurológica, além do possível isolamento e abandono familiar.

Fatores orgânicos associados e outras doenças, além de algumas medicações utilizadas no tratamento de tais repercussões clínicas, também podem causar depressão.

O inverso também é verdadeiro. Pessoas com depressão têm risco quase três vezes maior de sofrer AVC. Quando a depressão de pacientes que sofreram derrame não é tratada, há piora substancial da psicomotricidade, das funções cognitivas (memória) e maiores chances de outro episódio de AVC. Uma das principais necessidades humanas, para o idoso ou qualquer outro, é a chamada autonomia funcional. É a capacidade que a pessoa tem para valer-se de si mesmo, interagir com o ambiente e satisfazer suas necessidades.

As características da síndrome depressiva, nos pacientes com AVC, são similares às dos outros episódios depressivos. Hoje, a ciência descobriu que há um subgrupo de pacientes do tipo com maiores chances de desenvolver depressão. Aqui, incluem-se os pacientes com atrofia do córtex cerebral (diminuição do volume do cérebro), um episódio prévio de derrame ou mesmo depressão e histórico familiar dessa doença.

A presença de depressão atrasa muito a recuperação de pacientes com acidente vascular cerebral, piorando as seqüelas neurológicas como os distúrbios da linguagem, motricidade, alterações de sensibilidade, dores e perda de memória. Tais pacientes se engajam de forma insatisfatória aos tratamentos medicamentoso e fisioterápico, o que é um dado alarmante, já que diminui as chances de sobrevida. Estudos também apontam que pacientes com depressão pós-AVC têm uma mortalidade 50% maior em relação àqueles sem depressão, no seguimento de um ano.

Hoje, felizmente, temos medicações antidepressivas que podem, rapidamente, tratar essas depressões secundárias. Porém, repito, o maior problema é a falta de uma abordagem precoce eficiente, realizada por meio de uma avaliação clínica inicial completa e precisa. A psicoterapia de enfoque cognitivo-comportamental também é eficaz e fundamental. Familiares de pacientes que têm o problema devem ficar atentos aos sintomas e sinais de depressão nos primeiros meses depois do AVC. Isso pode, efetivamente, salvar vidas e melhorar o bem-estar e a qualidade de vida destas pessoas que tanto sofrem com os limites impostos pela doença.



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 20h40
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DOENÇA MENTAL É CORRUPÇÃO?

No último dia 4, foi veiculada uma matéria no Fantástico, da TV Globo, associando corrupção à doença mental. Chegaram a classificar três subtipos de corruptos: o corrupto anti-social, o corrupto borderline e o corrupto narcísico, fazendo-se um elo de ligação com os transtornos de personalidade (TP). Vou começar definindo de maneira clara e correta o que é um Transtorno de Personalidade (TP).

A personalidade é a síntese de nossos comportamentos, cognições e emoções que faz de cada um de nós uma pessoa única. Estes atributos tendem a ser estáveis e permanentes, permitindo que nossos familiares, amigos e conhecidos possam prever como nós reagiremos a uma dada situação e permite a eles nos descrever para outras pessoas.

Embora nossa personalidade tenha esta característica de estabilidade e permanência, a ponto de que nossa reação a determinadas situações possa ser previsível, a pessoa com uma personalidade saudável demonstra uma grande variedade de respostas às situações de vida e principalmente às situações estressantes.

Um transtorno de personalidade ocorre quando uma pessoa não pode mostrar tal flexibilidade e adaptabilidade. A falta de adaptabilidade e o limitado repertório de respostas frente às situações comuns de vida, e principalmente daquelas mais estressantes, torna-se uma importante fonte de sofrimento para o indivíduo e para os que estão à sua volta.

Sou muito favorável aos esclarecimentos prestados à comunidade, mas desde que os esclarecimentos sejam apenas esclarecimentos baseados em dados científicos. Não acho correto que alguns conhecimentos possam servir para desculpar ou ainda justificar as pessoas pelas crueldades e roubos que cometem.

Os transtornos de personalidade tornam-se reconhecíveis na adolescência ou, às vezes, antes, e permanecem pela maior parte da vida adulta. São padrões desadaptados, inflexíveis, muito enraizados e de severidade suficiente para atrapalhar o funcionamento da pessoa e trazem muito sofrimento.

O diagnóstico de transtorno de personalidade pode indicar que o paciente tem um elevado risco de suicídio, afeta o curso e prognóstico de doenças coexistentes, destaca importantes fatores etiológicos, informa ao clínico acerca da evolução e prognóstico do paciente, indica áreas de importante disfunção nos papéis sociais, familiares e ocupacionais e ajuda o clínico na administração global do tratamento.

Hoje, irei descrever o transtorno de personalidade borderline. O borderline, do inglês “fronteira”, é caracterizado por uma fragilidade psíquica importante, predominantemente em mulheres. A pessoa sente-se abandonada ou rejeitada, tornando-se auto ou hetero agressiva, verbalmente e até fisicamente em casos extremos, com liberação de emoções e impulsividade. Os critérios atuais que os médicos devem usar para diagnosticar um transtorno borderline da personalidade são os do DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico em Saúde Mental, da Associação de Psiquiatria Americana). Entre os critérios temos:

Um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, auto-imagem e afetos, com acentuada impulsividade começando no início da vida adulta, e presente numa variedade de contextos, como indicado por cinco ( ou mais ) dos seguintes:

1) esforços desesperados para evitar abandonos reais ou imaginários;

2) um padrão de relações interpessoais instáveis e intensas caracterizadas pela alternância de extremos de idealização e desvalorização;

3) perturbações de identidade. Auto-imagem e sentido de self ( sentido de ser a própria pessoa, contato com a interioridade ) acentuadamente e persistentemente instáveis;

4) impulsividade em pelo menos duas áreas que são potencialmente lesivas à pessoa ( self ): compras, sexo, abuso de substâncias, direção perigosa e exageros alimentares;

5) comportamento suicida recorrente, com tentativas e ameaças ou comportamento auto-mutilantes;

6) instabilidade afetiva devida à acentuada reatividade de humor (por exemplo disforia episódica intensa, irritabilidade ou ansiedade usualmente durando poucas horas e só raramente mais que uns poucos dias);

7) sentimentos de vazio crônicos;

8) raiva inapropriada e intensa ou difícil de controlar ( por exemplo ataques freqüentes de mal humor, raiva constante, agressões físicas repetitivas);

9) ideação paranóide passageira, relacionada ao estresse ou sintomas dissociativos severos.

O diagnóstico de borderline, pelo médico, continua sendo uma questão muito complexa, apesar das diretrizes que em muito ajudam, e deve ser feito por profissionais que tenham um sólido conhecimento dos transtornos de personalidade, um método sistemático de avaliação e muita experiência em lidar com pacientes com estes transtornos. Aspectos sociológicos, culturais e antropológicos deveriam ser enfatizados quando analisamos a corrupção. Continuaremos, na próxima semana, a nossa análise aprofundada do transtorno de personalidade borderline que, assim como outros transtornos de personalidade, não deve ser atribuído, de forma generalizada, a corruptos.



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 18h46
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CIGARRO NA GRAVIDEZ E DELINQÜÊNCIA JUVENIL

             Se já não bastassem todos os malefícios físicos e psicológicos trazidos ao recém-nascido e à criança no seu desenvolvimento,  temos hoje, o conhecimento, através de vários estudos científicos metodologicamente corretos, que a exposição pré-natal do feto ao tabagismo materno durante a gravidez, está associada a uma maior chance de distúrbios de comportamento e do Transtorno da Hiperatividade com Déficit Atencional ( doença iniciada na infância que tem como principais características a impulsividade, agressividade, falta de atenção e concentração e hiperatividade) na adolescência, principalmente em meninos.

             Esses comportamentos, chamados de disruptivos, favorecem a delinquência, a depressão, o suicídio e o uso de drogas entre adolescentes, sem dúvida alguma, fatores geradores de culpa em algumas mães, dependendo de suas características de personalidade e relacionais.

            Alguns estudos recentes têm examinado os antecedentes maternos de vários meninos pré-púberes com transtornos de conduta. Esses estudos acharam uma frequência maior de tabagismo materno durante a gravidez em 22% dos meninos com déficit atencional contra 8% dos chamados controles normais. Vários outros fatores foram controlados para não causarem distorções nos estudos, como por exemplo, condição sócio-econômica, inteligência dos pais e história parental de transtorno de conduta ou hiperatividade.

        Wakschlag e colaboradores, em 1997, chegaram à conclusão que mulheres fumantes de mais da metade de um maço de cigarros por dia, eram mais propensas a terem filhos com distúrbio de conduta. Importante frisarmos que esses autores concluiram ser o tabagismo um fator de risco isolado para o distúrbio de conduta entre os adolescentes.

           Pesquisadores da Suécia, em 1998, estudaram 62 crianças com Déficit Atencional e Hiperatividade, comparando-as com crianças normais. Eles acharam que no subgrupo de pré-púberes doentes havia o dobro de mães que tinham fumado durante a gravidez.

           Outro estudo realizado por Fergusson e colaboradores, na Nova Zelândia, com 1265 indivíduos com idade variando entre 16-18 anos, concluiu que as crianças expostas à nicotina durante a gestação tinham maior prevalência de uso de drogas, distúrbios de comportamento e depressão.

        O mais recente trabalho publicado sobre o tema, em 2005, no British Journal of Psychiatry, pesquisou 723 casais de gêmeos idênticos e 1173 não idênticos. Os pesquisadores associaram diretamente o fumo, durante a gravidez, ao transtorno do déficit atencional e hiperatividade. Um outro trabalho de 2005, publicado na revista Pediatrics, também encontrou tal direção. Segundo este trabalho, as futuras mães correm um risco três vezes maior de ter filhos com transtornos de hiperatividade se fumarem durante a gravidez.

        Há algumas hipóteses bem conduzidas, entre elas a de que a nicotina atuaria estimulando o sistema motivacional cerebral dopaminérgico (dopamina é uma substância química que comunica as células nervosas entre si) durante uma fase crítica do desenvolvimento cerebral do feto, o que predisporia tardiamente a um risco aumentado do uso de outras drogas na adolescência.

          Portanto, embora estudos retrospectivos mereçam uma análise crítica mais rigorosa, a hipótese de que o tabagismo na gravidez predispõe a doenças mentais na infância e adolescência é bem razoável. A única dúvida que nos restaria seria em relação ao período de amamentação. Será que a exposição da criança à nicotina através do leite mateno não é o mais importante nesses efeitos?

          De qualquer forma, programas de prevenção do tabagismo materno durante a gravidez devem ser incentivados, na Rede de Saúde Pública, pelos inúmeros malefícios que essa prática pode acarretar ao futuro jovem. Acho extremamente sensibilizador uma mulher ter o conhecimento de que a sua dependência de nicotina pode ser um dos fatores de risco para futuros delinquentes juvenis. 



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 23h17
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Estresse e a infertilidade

Recente trabalho publicado na Revista Fertility and Sterility concluiu que o estresse pode ter um impacto negativo no sucesso do tratamento de infertilidade. Os autores são os médicos Jacky Boivin da Inglaterra e Lone Schmidt da Universidade de Copenhagen. A importância de tal trabalho foi a de correlacionar também o estresse masculino às falhas dos tratamentos de infertilidade, embora com um papel menor que o estresse feminino. É importante deixar claro que os resultados encontrados não se deveram a quaisquer efeitos aditivos do estresse masculino sobre o feminino. A avaliação do efeito do nível de estresse dos parceiros sobre os resultados dos tratamentos de fertilidade foi feita pela aplicação, a ambos parceiros, do Inventário de Estresse dos Problemas de Fertilidade — logo no início do tratamento. Doze meses após, os casais foram novamente entrevistados para se determinar os tipos de tratamentos a que tinham sido submetidos, quantos ciclos e se o resultado tinha sido o sucesso almejado, definido como gravidez atual ou nascimento do filho. Foram incluídos 818 casais, dos quais cerca de 60% tiveram sucesso terapêutico. Um em cada cinco casais foram submetidos a procedimentos de inseminação, enquanto o restante à fertilização in vitro (FIV) e injeção intracitoplasmática dos espermatozóides (ICSI). Os pesquisadores ainda tiveram o cuidado de afastarem as variáveis confundidoras como as idades dos parceiros e o número de anos de infertilidade. As mulheres que relataram mais estresse marital necessitaram, em média, de três ciclos de tratamento para a concepção, quando comparadas às mulheres menos estressadas que precisaram de apenas dois ciclos. Mulheres estressadas também são menos propensas a ficarem grávidas em um determinado ciclo. Os pesquisadores encontraram que os domínios pessoais e maritais geradores de estresse são mais importantes do que o estresse surgido no campo das relações sociais. Eles concluem que o trabalho deles reforça o crescimento da base de evidência científica do impacto de estados psicológicos negativos em falhas de tratamento de fertilidade.

O impacto da infertilidade nos casais pode ser profundo. Ele é, geralmente, vivido como uma crise traumática e pode chegar a ter um efeito desmoralizante para a pessoa infértil, abalando profundamente a visão que o casal tem de si mesmo como uma unidade saudável. Muitas vezes, faz as pessoas sentirem-se defeituosas, envergonhadas e moralmente arrasadas e fracassadas.

Cada um dos membros do casal pode ter uma forma diferente de vivenciar os acontecimentos. Essas diferenças podem ser atribuídas a questões de gênero, a formas de lidar com os problemas e a diferença no desejo de cada um em relação aos filhos. Uma importante diferença com base no gênero é que os homens preferem evitar falar sobre o assunto e ir direto a ação, enquanto as mulheres preferem falar sobre a questão. É interessante notar que abordar o assunto da infertilidade faz as mulheres se sentirem melhor, e os homens, pior. As pressões por parte da família e dos amigos para ter filhos somam-se às experiências de marginalização e descompasso em relação aos outros casais pelas quais passam aqueles que não podem procriar. O sentimento de perda e o luto são característicos da situação de infertilidade. A perda da experiência e a alegria de ser capaz de facilmente conceber, a perda da privacidade da concepção (a intervenção médica esta sempre presente), a perda da experiência de compartilhar um filho biológico, a perda da esperança de dar continuidade a linhagem familiar, essas são somente algumas das perdas. A psicoterapia faz-se importante neste momento, pois é necessário reconhecer essas perdas e dar-lhes o valor adequado, ajudando assim, os casais a fazer o devido luto.

É essencial que o casal busque auxilio para reconhecer as dolorosas perdas em cada estágio do processo de infertilidade, as quais variam entre o desapontamento que a mulher sente no momento da menstruação aos resultados negativos do exame laboratorial, às falhas nos tratamentos, aos abortos espontâneos. Por ser a infertilidade um assunto tão onipresente e cansativo, considero importante orientar os casais a “se darem um tempo” e deixarem o assunto temporariamente de lado. Costumo orientar os casais a planejarem momentos para falarem sobre a infertilidade e momentos em que este assunto possa ser colocado de lado, em seu lugar, algo prazeroso possa ser feito. A mesma idéia aplica-se ao sexo: há momentos de fazer sexo para procriação, e há momentos de fazê-lo só por prazer.

É possível controlar o estresse?

O que temos, atualmente, são medidas simples que minimizam os efeitos ou impactos negativos do estresse sobre o corpo ou a mente, além, é claro, do impedimento da evolução mais grave para um estresse crônico ou transtorno mental. Entre essas medidas estão: procure identificar o nível de estresse, em primeiro lugar, com a ajuda de um profissional da área de saúde mental; reorganize sua rotina de vida, com hábitos e atividades mais saudáveis. Aqui se encaixam os exercícios físicos, na freqüência de três vezes semanais, por um período de trinta minutos; a alimentação balanceada e correta, com gorduras poliinsaturadas, presentes em peixes de águas frias, como o salmão e o atum, folhas verdes e nozes. Incluem-se também as atividades de lazer freqüentes, além do abandono de alguns hábitos como o tabagismo e consumo alcoólico; invista também em técnicas de meditação e relaxamento- controladoras do ritmo cardíaco.




Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 12h05
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Alerta: crianças “preguiçosas”

Na infância é muito comum algumas crianças serem taxadas de preguiçosas. São aquelas crianças que não gostam de livros, ao contrário, até fogem deles, de forma desinteressada e os pais têm de insistir muito para que elas consigam estudar e tirar notas boas no colégio.

Tal situação, razoavelmente comum na infância, pode ocasionar confusão e erros conceituais extremamente prejudiciais. O limite entre o normal e o patológico nesta faixa etária geralmente é tênue. Bons profissionais da área de psicopedagogia e neuropediatria devem ser consultados e até orientarem pais e professores da rede de ensino.

Uma questão é a criança ter uma preguiça específica e direcionada para um determinado foco ou tarefa. Um desânimo para uma ordem dos pais ou para fazer a lição de casa, por exemplo. Outra, completamente distinta, é ter uma dificuldade de aprendizagem por fatores neurológicos, psicológicos ou até genéticos. Os transtornos de aprendizagem atingem cerca de 3% a 7% das crianças brasileiras, podendo ser relacionados a déficits específicos como o de leitura, de audição, de ortografia e também problemas do desenvolvimento de linguagem.

Na área de psiquiatria infantil, temos os transtornos do déficit atencional e hiperatividade e a própria depressão infantil que podem cursar com sintomas similares, embora quantitativa e qualitativamente distintos, aos da preguiça.

Quando há um determinado transtorno mental, a tendência é que os sintomas se repitam nas mais diversas situações. O prejuízo costuma ser global, atingindo várias esferas da vida infantil. Dificuldades de relacionamento pessoal e familiar podem estar mais exacerbadas. A criança com dificuldades de aprendizagem, secundárias a um transtorno psíquico, costuma ficar muito tempo frustrada com o seu desempenho e pode sofrer demasiadamente e com baixa auto-estima.

Já na preguiça, os sintomas são focais e limitados. O tempo no qual a criança permanece frustrada tende a ser curto, sem maiores seqüelas emocionais. Há reatividade do humor de forma repentina. Uma vez que um determinado diagnóstico de déficit de aprendizagem seja realizado, cabe a todos, pais e professores, não salientarem as dificuldades e sim buscarem estimular as principais virtudes, potencialidades e qualidades dessa criança.

Desde a década de 80, na Universidade de Harvard, há o conhecido conceito de inteligência múltipla, com várias ramificações. Apenas em 1995 tal conceito chegou ao Brasil. O desenvolvimento de tais habilidades múltiplas podem ser estimulados. Têm crianças que são ótimas para a lógica matemática, outras para a verbal lingüística, outras para a música, outras para os relacionamentos interpessoais, outras para a capacidade visual-espacial e até para a espiritualista-existencialista. Alguns podem ter apenas um dos tipos de inteligência, outras crianças podem ter vários subtipos, simultaneamente.

Portanto, a idéia geral é simples. Temos que reforçar as qualidades e potencialidades de nossas crianças — independentemente dos seus déficits de aprendizagem — e não projetarmos sobre elas o grande peso de nossas expectativas e anseios, com pressões e cobranças excessivas, geradoras de estresse infantil e conseqüentes fracassos. As peculiaridades individuais positivas devem ser realçadas. A estigmatização desnecessária e inútil de tais baixinhos pode, no futuro, gerar transtornos mentais muito mais sérios e incapacitantes.

Os pais não devem ter vergonha de buscar auxílio e ajuda especializada em situações de dúvidas, incertezas, frustrações, sentimentos de culpa e angústia gerados por tais dificuldades de aprendizagem dos seus filhos. Os professores devem ser treinados para o diagnóstico inicial e o correto encaminhamento de tais crianças aos especialistas. Isso poderá salvar o futuro das mesmas. Por fim, disponho-me a responder perguntas ou a escrever, detalhadamente, sobre temas importantes da infância e da adolescência



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 17h52
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DEPRESSÃO PÓS-PARTO DOS HOMENS

Muitos homens podem desenvolver quadros depressivos após o nascimento de seus filhos. Isso independe da vontade ou da alegria com o nascimento da criança. Tais situações sempre foram negligenciadas na medicina, porém, um estudo recente, de junho de 2005, publicado na conceituada Revista Lancet, ressaltou a importância do tema.

 

Tal estudo populacional prospectivo (de coorte), envolveu o acompanhamento de mais de 13000 mães e mais de 12000 pais desde a gestação, até um período de 3,5 anos após o nascimento dos filhos.

 

Os sintomas depressivos foram avaliados pela Escala de Depressão Pós-Parto de Edinburgh (EPDS). É uma escala de auto-avaliação de sintomas depressivos, que mede a gravidade dos sintomas. Embora tenha sido criada, especificamente, para avaliação da depressão pós-parto nas mulheres, tal escala já está validada para quadros de depressão em outros períodos de vida da mulher e também pode ser aplicada para homens, como foi o caso do presente estudo citado. Tal escala foi aplicada após 8 semanas do nascimento das crianças, tanto em homens quanto em mulheres, e reaplicada, nos homens, no 21º mês.

 

O problema metodológico que ocorreu foi a falta de uma avaliação psiquiátrica mais apurada de depressão. Em psiquiatria, jamais se faz o diagnóstico através de qualquer escala.

 

Os distúrbios do desenvolvimento emocional e comportamental foram mensurados nas crianças estudadas, na idade ao redor dos 3,5 anos de idade através de relatos maternos nas escalas pré-escolares revisadas por Rutter.

 

Os resultados mostraram a associação significativa entre a depressão pós-parto do pai e o aumento dos riscos de problemas comportamentais em crianças de 3,5 anos. Isso foi mais significativo nos meninos quando comparados às meninas, ao contrário da depressão pós-parto materna, na qual não há um predomínio de gênero.

 

No Pró-Mulher, procuramos ser sempre abrangentes na pesquisa e assistência dos principais transtornos psíquicos do ciclo reprodutivo feminino, incluindo a depressão pós-parto.

 

A literatura médica já tem vários trabalhos consistentes demonstrando os efeitos negativos da depressão pós-parto da mulher no desenvolvimento comportamental e emocional das crianças, nos primeiros anos da infância.

 

Poucos projetos fazem uma abordagem mais aprofundada dos homens envolvidos. Os companheiros ou maridos, além de familiares e até amigos mais próximos sempre são convidados (após autorização das pacientes)- pela equipe do Pró-Mulher- para darem seus relatos importantes.

 

A patologia pode ser relacionada ao vínculo do casal e interações dos dois com a prole. O marido, nos papéis gerados por vínculos até simbiônticos, pode, individualmente, desenvolver também seus quadros próprios de depressão. Parece-nos claro que um pai doente pode ser tão lesivo à criança quanto a sua mãe, durante os seus primeiros anos de infância.

 

Isso, infelizmente, ainda é um assunto pouco explorado, tanto por trabalhos científicos, quanto por grupos especializados na abordagem de quadros psíquicos puerperais. Inclusive, a participação de homens em tais estudos costuma ser bem inferior à das mulheres. É muito difícil sabermos, com exatidão, a taxa de depressão pós-parto masculina, ao contrário das mulheres.

 

Fatores que podem ser relacionados ao prejuízo do desenvolvimento emocional e comportamental da criança incluem: 1) a relação direta do pai com a criança deteriorada pela doença depressiva; 2) conflitos conjugais secundários à doença depressiva do homem, interferindo do equilíbrio da dinâmica familiar; 3) aspectos genéticos, apesar da grande importância, pelo que observamos, na prática, dos fatores ambientais- sempre presentes na eclosão de tais quadros.

 

Gostaria, por fim, de ressaltar a grande importância de tal estudo no sentido de chamar a atenção de todos, médicos, pacientes e sociedade, para a importância também da interação pai-filho para o pleno e estruturado desenvolvimento psico-afetivo das crianças em idade pré-escolar. Os médicos e os próprios pais subestimam ou ignoram tais associações relevantes.



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 23h04
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REDUÇÃO DE DANOS NO BRASIL: ADEQUADO?

Quando fazemos a transposição de um determinado modelo de política de saúde pública, oriundo de países desenvolvidos, temos o dever de ter o bom senso da reflexão profunda e sensata.

 

O Dr Pedro Gabriel, em nome do Ministério da Saúde, está com o firme propósito de criar casas onde os usuários de drogas podem, de forma protegida, fazer o consumo das mesmas. Tal idéia é polêmica e repleta de controvérsias, não temos um embasamento científico mais sistematizado.

 

Sabemos que a dependência química é uma doença crônica, onde a recuperação é extremamente difícil e complexa, dependendo de vários fatores. O uso contínuo de drogas parece causar alterações significativas no cérebro, segundo pesquisa recente publicada na revista científica “Neuron”. Parece haver uma diminuição do volume de uma estrutura cerebral denominada amídala, associada ao processamento de recompensas, como os estímulos prazerosos desencadeados pela cocaína, por exemplo.

 

Portanto, o desafio das diversas formas terapêuticas é uma tarefa árdua. Hoje, dispomos de novos medicamentos, que regulam de desequilíbrios químicos cerebrais dos dependentes, assim como modalidades de terapia psicológica, como a comportamental cognitiva que têm o objetivo de motivar mudanças concretas de hábitos de vida. Centros de tratamento também precisam, é claro, estar associados às famílias dos pacientes, importantes no processo de recuperação dos dependentes.

 

Quando os tratamentos são realizados por profissionais competentes, eles podem funcionar e salvar vidas. Porém, para isso, uma ampla rede de assistência precisa ser criada e bem treinada. O governo precisa apoiar as diversas modalidades de tratamento, com poucos recursos ainda, oferecendo uma maior esperança a todos os envolvidos neste drama.

 

Com isso exposto, quero deixar claro que toda a sociedade deve exigir das autoridades maior dedicação, empenho e verbas aos diversos setores da saúde mental, incluindo os das dependências químicas. Não podemos desamparar tais pacientes, não há qualquer sentido em se criar casas de consumo liberado de drogas, antes de tentarmos todas as formas possíveis de tratamentos multiprofissionais existentes. Haveria uma perigosa distorção conceitual, talvez, até mais cômoda, menos dispendiosa e trabalhosa para os nossos políticos.

 

Precisamos parar de importar modelos prontos da saúde pública de países desenvolvidos, sem levar em consideração todas as nossas peculiaridades. Ou seja, primeiro precisamos ter a humildade de reconhecer que a nossa política de saúde mental está fragilizada e ineficiente, merecendo ações mais abrangentes e focalizadas, com melhores recursos e treinamento dos profissionais. Antes de desistirmos da grande batalha, precisamos, é claro, lutar com eficiência, conhecimento técnico e generosidade no controle eficaz das dependências químicas, entre tantas outras mazelas sociais. Só a partir da missão básica cumprida, é que poderemos começar a discutir outras formas de ajuda como a criação de salas de consumo liberado de drogas. Honestamente, este não é o momento adequado para discussões desse tipo.



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 10h19
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POLÊMICAS EM SAÚDE MENTAL

Há várias questões complexas e controversas em saúde mental. Os critérios do manual diagnóstico em saúde mental (DSM-IV), de 1994, está em ampla fase de reformulação e reestruturação. As mudanças devem ser efetivadas a partir de 2010.

Isso tudo porque em psiquiatria, ao contrário de outras especialidades médicas, não há exames de neuroimagem ou sanguíneos que façam o diagnóstico, apesar de avanços dos estudos genéticos . Nesta nobre especialidade, os diagnósticos são realizados por categorias de sintomas, exigindo-se um amplo conhecimento de psicopatologia e anamnese psiquiátrica.

Além desse aspecto, o limite entre o normal e o patológico é, geralmente, tênue. Alguns comportamentos e sentimentos podem ser decorrentes de vários aspectos: personalidade, transtorno mental ou até excentricidade das pessoas.

Alguns profissionais não preparados em saúde mental passam a fazer diagnósticos dúbios e questionáveis. Diagnosticam depressão, transtornos de ansiedade- como pânico e fobias, de forma superficial e perigosa. Não é por acaso que recente relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), ligado à ONU aponta o crescimento de 500% no uso de anorexígenos entre 1997 e 2004. Os antidepressivos e ansiolíticos também não ficam para trás.

 

Atendo muitas mulheres da alta sociedade de São Paulo, oriundas de alguns médicos que se intitulam como os “gurus da dieta” ou “mágicos da boa forma” que vêm com sérios comprometimentos psíquicos decorrentes do uso abusivo de fórmulas perigosas de emagrecimento contendo sibutramina, antidepressivos, calmantes, anorexígenos e hormônios tireoidianos. Muitas pacientes, sem quaisquer transtornos ansiosos ou depressivos diagnosticáveis, saem dos consultórios chiques dessas “estrelas da medicina” com rótulos de portadoras de depressão ou ansiedade- após uma avaliação psiquiátrica precária e superficial.

 

Outra situação- não menos delicada e conflitante-, na área de saúde mental, é quando o diagnóstico psiquiátrico envolve transtornos que causam grande repulsa e indignação social. A pedofilia, por exemplo, é um deles. Há, recentemente, o caso do Michael Jackson que foi acusado sobre dez situações diferentes de abuso sexual de um adolescente de 13 anos. Há indícios fortes de um sério transtorno mental neste rei do pop. Ao lado do seu carisma e talento musical, sua infância sempre foi marcada pelo isolamento e maus tratos do pai. Mudanças estéticas e da cor da pele obsessivas, posturas e comportamentos bizarros, dependência de analgésicos e tranqüilizantes, além de muitas dívidas, arruinaram o seu sucesso e a sua vida pessoal.

 

Na sentença recentemente proferida pela justiça americana, deveria haver a necessidade proeminente de um amplo tratamento psiquiátrico obrigatório. Muitos ídolos sofrem de transtornos mentais não diagnosticados adequadamente, sejam relacionados a quadros de humor, ansiedade, dependência química e alterações de personalidade. Parece que o fato de serem bem sucedidos, os tornariam imunes aos transtornos psíquicos, mascarados ou até ocultados em grande parte das vezes.

 

Voltando à questão da pedofilia, o CREMESP (Conselho Regional de Medicina da Estado de São Paulo) a considera como tendo duplo status. Ela é, ao mesmo tempo, um diagnóstico médico e um delito. Seu reconhecimento como distúrbio mental internacionalmente aceito implica na admissão que a vontade do sujeito pedófilo está comprometida, ao menos em relação ao comportamento sexual.

 

Embora o corpo da sociedade, com toda a razão, se sinta agredido com tais situações pedófilas, não há uma obrigatoriedade ou dever legal para os médicos denunciarem tais casos relatados por eventuais pacientes adultos. Já quando o profissional assiste às crianças menores haveria o dever do relato, segundo o Departamento Jurídico do CREMESP. Isso chegou até a se contrapor ao parecer da Comissão de Bioética dessa respeitosa instituição.  

 

As características clínicas dos pacientes precisam ser levadas em conta na possível quebra do sigilo, como, por exemplo, o sexo, a condição psíquica do pedófilo, a presença de outro distúrbio mental, as características do relacionamento sexual com a criança ou adolescente além da periculosidade do paciente e do seu real interesse na cura da condição. Os pais das crianças podem ser notificados antes da comunicação às autoridades. 

 

Cabe à medicina buscar aprimorar, com maior vigor, o conceito de pedofilia, procurando distinguir o delito do distúrbio mental. Porém, esse exemplo de pedofilia serve para uma reflexão do quanto é complexa a área de psiquiatria, exigindo-se ampla formação especializada e ética para a realização de diagnósticos e terapêuticas da área corretos e sensatos.

 

 



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 15h25
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ALERTA CONTRA O RISCO DE SUICÍDIO

Recomendações a familiares e amigos desconfiados de

que alguém conhecido corre o risco de cometer suicídio

Leve a sério seu amigo ou familiar.

Fique calmo, mas não sem reação.

Envolva outras pessoas. Não tente manipular a crise sozinho ou pôr em risco sua

própria integridade ou segurança. Chame socorro, se necessário.

Faça contato com o psiquiatra ou terapeuta da pessoa, com a equipe de

intervenção em momentos de crise, ou outros treinados para ajudar.

Exprima preocupação. Dê exemplos do que leva você a crer que seu amigo(ou

seu familiar) está a beira do suicídio.

Ouça atentamente. Mantenha contato visual. Use linguagem corporal, tal como

se aproximar da pessoa ou segurar-lhe a mão, se for adequado.

Faça perguntas diretas. Descubra se o seu amigo(ou familiar) tem um plano

específico para o suicídio. Determine, se puder, em que método ele está

pensando.

Reconheça, os sentimentos da pessoa. Demonstre empatia, não crítica. Não

isente a pessoa da responsabilidade por suas ações.

Tranqüilize-o. Ressalte que o suicídio é uma solução permanente para um

problema temporário. Forneça esperança. Lembre ao seu amigo ou familiar

que existe ajuda e que as coisas irão melhorar.

Não prometa segredo. Você pode precisar falar com o médico da pessoa a fim de

protegê-la. Não faça promessas que coloquem em risco a vida desta pessoa.

Se possível, não deixe sozinha até se certificar de que está nas mãos de

profissionais competentes.

Extraído de: JAMISON, K. R.

QUANDO A NOITE CAI: entendendo o suicídio. Editora GRIPHUS, Rio de

Janeiro, 2002. Citação do NATIONAL DEPRESSIVE AND MANIAC-DEPRESSIVE ASSOCIATION. (pág. 207-

208)



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 17h10
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TABAGISMO FEMININO

OS PERIGOS DO TABAGISMO FEMININO

No Brasil, estima-se que cerca de 200.000 mortes/ano são decorrentes do tabagismo (OPAS, 2002). De acordo com o estudo realizado em 2002 e 2003, entre pessoas de 15 anos ou mais, residentes em 15 capitais brasileiras e no Distrito Federal, a prevalência de tabagismo variou de 12,9 a 25,2% nas cidades estudadas. Os homens apresentaram prevalências mais elevadas do que as mulheres em todas as capitais. Essa pesquisa também mostrou que a concentração de fumantes é maior entre as pessoas com menos de oito anos de estudo do que entre pessoas com oito ou mais anos de estudo. Em relação à prevalência de experimentação e uso de cigarro entre jovens, de acordo com estudo realizado entre escolares de 12 capitais brasileiras, nos anos de 2002-2003  a prevalência da experimentação nessas cidades variou de 36 a 58% no sexo masculino e de 31 a 55% no sexo feminino, enquanto a prevalência de escolares fumantes atuais variou de 11 a 27% no sexo masculino e 9 a 24% no feminino. Cerca de 80% a 90% dos tabagistas iniciam o seu hábito de fumar antes dos 18 anos de idade, sendo que nos países em desenvolvimento o início do tabagismo ocorre por volta dos 12 anos (DADOS DO INCA-Instituto Nacional do Câncer).

Observa-se uma tendência maior de queda do tabagismo no sexo masculino, quando comparado ao feminino. Nos países em desenvolvimento, a iniciação do tabagismo feminino tem sido cada vez mais precoce. A maior prevalência neste grupo é nítida.

Portanto, pelos dados acima, há uma tendência do investimento de marketing da indústria do cigarro em mulheres jovens e pessoas de baixa escolaridade. As estratégias concentram-se em tal público, preferencialmente. As políticas de prevenção também devem focalizar tal população de tabagistas e isso tem sido feito pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

As complicações à saúde física e mental são múltiplas. As mulheres são mais sensíveis aos efeitos nocivos, tanto com relação à toxicidade dos milhares dos componentes químicos, inclusive compostos radioativos, presentes na fumaça, quanto aos riscos de dependência e abstinência do cigarro. As mulheres também apresentam maior dificuldade para vencer o obstáculo da dependência da nicotina. Elas reclamam do aumento do peso, mas, não há mais ganho de peso nas mulheres quando comparadas aos homens. Porém, o impacto psicológico de tal ganho de peso parece ser mais intenso nas mulheres. Outro possível fator é a maior vulnerabilidade das mulheres ao estresse, segundo alguns estudos. Isso poderia facilitar a manutenção da dependência nas mesmas, alimentando tal circulo vicioso.

Uma em cada 5 mulheres fumam durante a gravidez. Como a nicotina reduz o fluxo sanguíneo placentário, há sérios danos ao feto, como, por exemplo, o crescimento intra-uterino retardado e várias doenças respiratórias ao bebê. Há também aumentos das taxas de abortamento espontâneo e parto prematuro.

Os infartos antes dos 50 anos são cada vez mais freqüentes nas mulheres. Cerca de 90% dos infartos nesta idade são devido ao cigarro. Somam-se fatores relacionados às mudanças de hábitos de vida e cultura das mulheres, e também às ações do cigarro sobre os vasos sanguíneos. O cigarro estimula a contração dos vasos sanguíneos, dificultando a passagem do sangue. Ele também pode lesar o endotélio (membrana interna que reveste as artérias) facilitando os coágulos, predispondo-as a infartos e derrames.

Na área cardiovascular, outro grande risco para as mulheres fumantes, hipertensas e que tomam anticoncepcionais ou fazem terapia de reposição hormonal, é a trombose venosa que pode levar a amputação de membros e até riscos de morte como as que têm embolia pulmonar.

Problemas pulmonares, como enfisema e câncer também têm sido comuns nas mulheres fumantes. O câncer de pulmão já é o segundo mais prevalente no sexo feminino e sabemos que 90% das pessoas que têm câncer do pulmão são tabagistas. A incidência de câncer de pulmão, nas mulheres, aumentou cerca de 30% nos últimos 15 anos, enquanto nos homens houve uma estabilização ou até declínio.

O tabagismo parece antecipar a idade da menopausa em cerca de dois anos devido à destruição de células do folículo ovariano. O risco para a temida osteoporose também fica aumentado nas fumantes. A pele tem um processo de envelhecimento mais acelerado na tabagista crônica e a libido pode ser diminuída em algumas pacientes. Em suma, uma senescência acelerada.

Estudos demonstram que a taxa de fertilidade reduz em cerca de 40% nas mulheres fumantes. Como muitas mulheres, na atualidade, por questões profissionais, começam as tentativas de gravidez por volta dos 30-35 anos de idade, onde a taxa de fertilidade já se reduz, o cigarro amplificaria tal efeito, sem dúvida.

CONCLUSÃO:

Portanto, o tabagismo feminino tem um efeito ainda mais devastador que o masculino. Aqui, a campanha antitabagista deve ser mais agressiva (do ponto de vista construtivo, é claro!). Nenhuma conquista de status, poder econômico ou aceitação de modelos pré-estabelecidos por um mundo capitalista-mercantilista ou globalizado por pressões absurdas-, vale o cultivo dos mesmos maus hábitos masculinos retrógrados cristalizados ao longo do tempo como o tabagismo. 

Empenho e força de vontade são importantes. Em casos de dificuldades, vale a pena procurar uma ajuda especializada. Psicoterapias de grupo, com enfoque comportamental e cognitivo, antidepressivos como a bupropiona (sempre com orientação médica) e reposições de nicotina com adesivos e gomas de mascar podem ser bons coadjuvantes.

 



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 12h17
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CLASSIFICAÇÕES DE PROBLEMAS SEXUAIS

Sofrimento sexual: onde eu me encaixo?


Obs: Os nomes são fictícios para a preservação da identidade da pessoa que procurou ajuda. Após a leitura e observação de sintomas semelhantes, todos devem procurar orientação médica. Nada substitui a consulta médica pessoal!


Que problema Aline tem?

Aline tem 19 anos e recentemente arranjou um novo namorado, com o qual
teve sua primeira relação sexual. Ficou bastante frustrada, pois não
viu "estrelinhas coloridas" no final de sua transa, tampouco nos
encontros seguintes. Aline fica molhada durante o início do jogo
sexual, mas se preocupa constantemente em ter que chegar ao fim, em
ter sua satisfação sexual plena. E não é falta de estímulo, pois seu
parceiro é experiente e muito atencioso com ela.

Onde Paulo se encaixa?

Paulo sente-se envergonhado, mas não consegue controlar a tentação.
Quando se percebe, já está a caminho da praça pública de uma cidade
vizinha. Toma duas a três conduções, caminha por meia a uma hora e
chega ao local próximo da noitinha. A praça foi escolhida já há
semanas, é de movimento pequeno, jovens estudantes transitando após
mais um dia de aula. Paulo aguarda excitado atrás do tronco de uma
árvore. Quando percebe garotas vindo na sua direção, começa a se
masturbar mais intensamente, expondo seus genitais a elas. Tem seu
orgasmo apenas se elas lançarem um olhar para ele, dizerem algum
desaforo ou, surpresas, baterem em retirada. Paulo ejacula e
imediatamente abandona o local. Uma sensação de deleite e profundo
prazer se acompanha de culpa e vergonha. Não retorna jamais ao mesmo
lugar, com uma eterna desconfiança que seja reconhecido mesmo na sua
cidade de moradia. Por isso Paulo não sai muito de casa, isola-se de
amigos e fica esperando, ansioso e amedrontado, que essa tenha sido a
última vez. Pelo menos, até o impulso voltar.

João sofre de quê?

João tem 28 anos e nunca se relacionou sexualmente com ninguém. Sempre
teve impressão de ter nascido diferente, como se o tivessem colocado
numa armadura , com vestimentas erradas e desejos contrários. João
acredita ter sido uma falha da natureza, uma vingança dela contra sua
forma de pensar. Entre amigos, prefere ser chamado pelo apelido de
Jana e jamais se deixa observar nu, tendo nojo de seus órgãos
genitais. Desde cedo, seus pais tentaram fazê-lo jogar bola, mas João
preferia brincar de bonecas de papel com as meninas da vizinhança.
João sente-se só e infeliz, humilhado e pouco compreendido por todos
que o cercam. Tem uma vida falsa.

Tipos de Transtornos Sexuais: três grandes categorias

Os problemas sexuais são conhecidos como Transtornos Sexuais na
linguagem médica. Dividem-se em três grandes grupos:


 As Disfunções Sexuais
 As Parafilias
 Os Transtornos de Identidade de Gênero


Disfunção Sexual

A Disfunção Sexual é um problema que pode afetar o desejo sexual e/ou
alterar as respostas psicofisiológicas do corpo frente aos estímulos
sexuais, causando sofrimento e insatisfação não só na pessoa, como
também no seu par. Aline não consegue chegar ao orgasmo, frustrando-se
constantemente. Ela tem Anorgasmia.

Outras Disfunções Sexuais femininas são: Desejo Sexual Hipoativo,
Aversão Sexual, Transtorno de Excitação (Frigidez), Dispareunia (dor
na relação sexual) e Vaginismo (contração involuntária dos músculos
perineais que impedem a penetração).

Nos homens, encontramos o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo, a
Aversão Sexual, a Disfunção Erétil (Impotência), a Ejaculação Precoce
(ou Prematura) e a Anorgasmia.

As disfunções sexuais são freqüentes e relativamente fáceis de se
tratar com ajuda especializada, principalmente as que acometem as
fases de excitação ou de orgasmo.

Parafilia

A parafilia antigamente era chamada de Desvio Sexual ou Perversão. É
caracterizada pela presença de fantasias ou vontades sexuais
estimulantes e persistentes relacionadas:
 com objetos não humanos
 com humilhação de si mesmo ou de parceiros
 com crianças ou pessoas que não estão consentindo com o ato sexual


Paulo tem uma Parafilia chamada de Exibicionismo, onde há uma
necessidade repetida de se obter prazer expondo-se sexualmente a
pessoas estranhas, sem os seus consentimentos.

Outras formas de Parafilia são: o Sadomasoquismo (quando a satisfação
erótica advém da prática de maus tratos físicos e/ou morais infligidos
ao parceiro sexual e a si mesmo), a Pedofilia (sexo com crianças), o
Voyeurismo (espiar pessoas estranhas nuas ou tendo sexo sem estas
perceberem), o Fetichismo (quando o prazer consiste em amar não à
pessoa, mas a uma parte dela ou um objeto de seu uso), o Frotteurismo
e o Fetichismo Transvéstico.

O tratamento básico para esses tipos de problema sexual é a psicoterapia.

Transtorno de identidade de gênero

O Transtorno de Identidade de Gênero caracteriza-se pela pessoa
acreditar ou querer ser do sexo oposto, tendo um sofrimento e uma
estranheza muito grande com seu próprio sexo e com o seu papel social.
João tem esse tipo de problema sexual. O tratamento desse transtorno é
mais difícil de ser feito. Por vezes, essas pessoas mudam de sexo
através de uma série de cirurgias plásticas reconstrutivas. É
indispensável que a pessoa procure atendimento psiquiátrico para,
através de psicoterapia e apoio, poder enfrentar as dificuldades para
assumir nova identidade e lidar com possíveis frustrações.

Enviado por Tânia Castello Branco




 



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 12h14
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DESEJO SEXUAL FEMININO

DISFUNÇÃO DO DESEJO SEXUAL FEMININO

DESEJO SEXUAL HIPOATIVO


"Sinto-me cobrada na cama. Finjo prazer ou me queixo de dor de cabeça."

Cada vez mais as mulheres procuram ajuda quando sentem-se desmotivadas
sexualmente. Buscam apoio em amigas, profissionais da área de saúde,
como psiquiatras, psicólogos ou mesmo ginecologistas. Raramente
abrem-se com seus parceiros por se sentirem ameaçadas na estabilidade
de seus relacionamentos.

Muitas vezes, adotam a velha postura de "luta ou fuga". Ou seja, ou
combatem o seu problema insistindo na relação sexual, mesmo não
prazerosa, fingindo deleite e orgasmo, (o que deixa o parceiro de fora
da realidade e excluído como apoio), ou fogem do contato sexual como o
"diabo foge da cruz", queixando-se de dores de cabeça, cansaço e
irritação, (evitando o apoio do parceiro, que geralmente sente-se
rejeitado).

Muitas vezes o problema é deslocado para o companheiro, encarado como
o "inimigo", responsável pela perda do desejo. A depressão é uma
conseqüência freqüente e o desajuste conjugal é o passo seguinte.

Mas o que é isso?

Chamamos de Desejo Sexual Hipoativo (DSH) a esse transtorno sexual que
acomete, em média, 35% da população brasileira. Caracteriza-se por uma
diminuição ou ausência completa de fantasias eróticas e de desejo de
ter atividade sexual. Há dificuldades no envolvimento com o parceiro,
pois este queixa-se de falta de intimidade ou reciprocidade.

E diminui por quê?

Vários fatores podem determinar o DSH. Dentre os fatores orgânicos,
devemos dar atenção a desequilíbrios hormonais. O aumento de
prolactina, a diminuição de testosterona ou de estrogênio, podem
causar uma baixa importante da motivação sexual. Várias medicações já
estão disponíveis para lidar com esses problemas, como os hormônios de
reposição ou drogas que restituem o equilíbrio hormonal.

Quando há infecções na vagina ou nódulos, a melhora destes quadros,
com tratamento apropriado (antibióticos, analgésicos, lubrificantes,
tratamento cirúrgico), restaura o desejo sexual.

Outro grande fator de diminuição do desejo é a depressão. Quadros de
intensa tristeza e sentimentos de menosvalia acabam com o apetite
sexual. O tratamento desses transtornos com antidepressivos pode
restaurar o prévio desejo sexual. Infelizmente, grande parte dessas
medicações pode provocar efeitos colaterais sexuais a curto e a longo
prazo, como diminuição do desejo, impotência, retardo da ejaculação e
anorgasmia. Por essa razão, o tratamento de depressão deve ser
ministrado e acompanhado pelo psiquiatra. Existem algumas medicações
que podem ser prescritas como "antídotos" para esses efeitos
colaterais sexuais. Dessa forma, a pessoa pode se beneficiar do
tratamento para depressão, sem prejudicar sua vida sexual.

Os fatores sociais e psicológicos têm muito peso no Desejo Sexual Hipoativo.

A forma de criação das mulheres nos países ocidentais, com muita
repressão e influências culturais negativas no que tange à
sexualidade, trouxe profundas conseqüências para a vida sentimental e
sexual feminina. A mulher não é tão estimulada a se ver, a se tocar e
a se conhecer sexualmente quando comparada ao homem. Educava-se para
não permitir que a sexualidade feminina viesse à tona. Após a
revolução sexual dos anos 60, houve uma tentativa de inversão desses
valores. No entanto, busca-se ainda hoje um meio termo, um equilíbrio
para a real identidade feminina.

É comum o conflito entre ser uma mulher maternal e também sexual, como
se fossem funções incompatíveis. As queixas de baixa libido e
depressão não são raras após o parto. O casal pode começar a se
desajustar mesmo durante a gravidez. A mulher passa a se ver e a ser
vista como um ser idolatrado, puro, destituído de atrativos sexuais.
Passa a negar o lado sexual em prol de ser mãe.

Situações traumáticas de abuso sexual, mensagens anti-sexuais durante
a infância, culpas, comportamento sedutor por parte dos pais,
dificuldade em unir amor com sexo em si mesma (esposa X prostituta),
raivas entre o casal e competição temida com o pai ou mãe, entre
outras, são fontes de baixa libido nas mulheres.

Possíveis soluções:

O DSH é uma das disfunções mais difíceis de se tratar, pois geralmente
acomete o indivíduo por longos anos, dado que as pessoas resistem
muito em procurar ajuda. É freqüentemente originado por fatores
psicossociais, sendo os raros casos de organicidade encaminhados para
especialistas.

Grande parte das mulheres pode beneficiar-se de reeducação sexual,
visando a informação e a permissão sexual. Ou seja, muitas mulheres
não aprenderam a se aceitar sexualmente e a se conhecer, devendo
passar por um processo de reeducação sexual a nível de consultório. É
o que chamamos de terapia cognitivo-comportamental.

Outras apresentam problemas mais profundos de auto-estima, de culpas e
de repressões. Para esses casos, a psicoterapia de orientação
analítica e/ou o psicodrama podem ajudar significativamente.

Não deixe de procurar ajuda.

Busque uma alternativa para sua saúde sexual!

Enviado por Tânia Castello Branco



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 12h04
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DIAGNÓSTICO PRECOCE E PREVENÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS

O termo “doença mental” ou transtorno mental engloba um amplo espectro de condições que afetam a mente. Doença mental provoca sintomas tais como, desequilíbrio emocional, distúrbio de conduta e enfraquecimento da memória. Algumas vezes, doenças em outras partes do corpo afetam a mente; outras vezes, desconfortos, escondidos no fundo da mente, podem desencadear outras doenças do corpo ou produzir sintomas somáticos.

 

Um grande espectro de fatores – nosso mapa genético, química cerebral, aspectos do nosso estilo de vida, além dos acontecimentos que nos acometeram no passado e nossas relações com as outras pessoas – participam como causadores do transtorno mental, levando ao sofrimento, desesperança e incapacidade de levar sua vida na sua plenitude.

 

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), cujo presidente atual é o Dr Josimar França, tem se preocupado e lutado muito contra os preconceitos e estigmas ainda existentes que impedem o tratamento precoce.

 

Os transtornos mentais são democráticos. Mesmo nas cidades mais distantes e isoladas do mundo, com natureza, paz e tranqüilidade, eles podem começar cedo, na infância. Por isso, uma ampla campanha de orientação, educação, informação e reconhecimento deve ser instituída à sociedade, orientando, principalmente, pais e professores. Na fase reprodutiva, as mulheres são duas vezes mais acometidas de depressão que os homens. Em relação aos transtornos de ansiedade, a proporção é de 2-3 mulheres acometidas por homem afetado.

 

A partir dos 15 anos, em média, começam alguns desequilíbrios emocionais, embora, hoje, muitas crianças pequenas já apresentam os sinais e sintomas iniciais. Os sintomas podem ser variados, incluindo uma ansiedade persistente sem motivos aparentes, dificuldade de aprendizado, desatenção, irritabilidade, choro, tristeza, desinteresse, agitação, medos intensos de escuro, altura e espaços amplos e abertos (fobias) e quadros de depressão ou psicose. Caso não haja o diagnóstico precoce, pode haver evolução para uso de álcool e drogas ou para um tipo grave de depressão. As mães devem ficar atentas.

 

A etapa inicial do maior estudo da área, o World Mental Health Survey (Levantamento Mundial sobre Saúde Mental) conduzido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), ilumina um caminho de possibilidade de contenção de qualquer distúrbio emocional durante a infância, evitando o surgimento de quadros psíquicos graves, durante o período escolar. Há um braço de tal estudo no Brasil, porém, os dados ainda são incipientes e, portanto, insatisfatórios. 

 

A magnitude da importância de tal conhecimento é incalculável. Em 14 países avaliados, entre 4,3% a 26% da população apresenta algum transtorno psiquiátrico, o que é um dado alarmante pelos inúmeros prejuízos psicossociais gerados.

 

Todos falam dos prejuízos sociais, familiares e individuais, porém, se esquecem do impacto econômico, devido à incapacitação gerada pelas doenças mentais. Transtornos mentais graves geram 200 dias de faltas ao trabalho. Os nossos políticos precisam, portanto, tratar com mais atenção, sensibilidade, respeito e eficácia a saúde mental do Brasil, priorizando a intervenção primária logo na infância. Muitos projetos ainda não saíram, infelizmente, do papel. 

 

O mundo todo precisa se mobilizar para uma efetiva melhora do panorama de saúde mental. Em mais de 60 mil entrevistas realizadas, por esta parte inicial do estudo, ficam comprovadas o quanto tais transtornos mentais são subdiagnosticados, tratados de forma inadequada e negligenciados pelas políticas públicas de saúde. É triste, pois sabemos que o controle é perfeitamente possível nos estágios iniciais. Toda a sociedade sairá vencedora.

 

 

 



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 01h52
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TERAPIAS ALTERNATIVAS TÊM RISCOS?

Os profissionais que praticam as técnicas complementares costumam afirmar que são eles que tratam da saúde do paciente de forma global, ao contrário dos alopatas, argumento com o qual eu não concordo.

Acredito que qualquer profissional gabaritado da área de saúde tenha tais propósitos nobres, não apenas os rotulados como alternativos. Nunca devemos dividir a área da saúde em nichos. Tais práticas têm sido cada vez mais procuradas. Pesquisa de doutorado defendida na Faculdade de Medicina da USP por Kazusei Akiyama, em dezembro de 2004, mostra que 52% dos médicos do município de São Paulo prescrevem ou endossam algum tipo de medicina complementar e alternativa para seus pacientes atualmente. Apenas 19,5% mostraram atitude desfavorável em relação a esses métodos, enquanto 29,9% têm atitude neutra. Foram entrevistados 537 médicos, com índice de resposta de 68%. A homeopatia e a acupuntura, antes consideradas medicina complementar, já não podem mais ser consideradas ou conceituadas desta forma, pois são especialidades médicas aprovadas pelo Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira. Porém, outras formas de terapia complementar, incluindo a apiterapia, reflexologia, a aromaterapia, os florais e a musicoterapia, entre tantas, embora ainda não tenham comprovação científica e não sejam aprovadas pelos órgãos competentes, já estão sendo praticadas. É aí que mora o perigo! Pode ser uma situação de risco à vida das pessoas, já que alguns destes profissionais não estão ainda totalmente capacitados para fazer um diagnóstico precoce de alguma doença clínica grave e encaminhar os doentes para os especialistas corretos. É muito dúbia a eficácia dos mesmos, enquanto não houver trabalhos publicados em grandes periódicos médicos comprovando tal eficácia.

Conhecimentos básicos de anatomia, fisiologia, farmacologia, clínica médica e psicologia são essenciais na formação desses profissionais, com a existência de pouquíssimos centros universitários formadores. Vou esclarecer o significado de alguns termos. A apiterapita é o uso controlado de produtos de abelhas, como mel, pólen e até o veneno, com o objetivo de promover o equilíbrio do organismo. A reflexologia trata de distúrbios físicos ou emocionais pelo estímulo de plexos nervosos e a musicoterapia utiliza a música para facilitar a comunicação e aprendizagem. Todos os profissionais sérios devem ficar atentos aos riscos envolvendo tais técnicas terapêuticas sem comprovação científica, independente de questões filosóficas ou subjetivas. A obrigação ética de qualquer profissional da saúde, independente de sua orientação, é sempre buscar evidências cientificas qualificadas dos métodos praticados por ele em prol do ser humano. A formação, os cursos, os órgãos fiscalizadores ainda são incipientes. A saúde deve ser tratada com extrema seriedade, em todos os níveis de atuação. Tais profissionais devem ter uma noção exata de seus respectivos limites de atuação, trabalhando, conjuntamente, com médicos sérios e bem formados. Em medicina, é muito comum o efeito placebo. Há vários estudos científicos que demonstram, por exemplo, na depressão, uma melhora importante dos sintomas da doença em cerca de 35% dos pacientes, apenas com pílulas inócuas, de farinha. Acredito que o conhecimento técnico aliado ao ato de ouvir os pacientes, com atenção, respeito, afetividade e humanismo, sejam essenciais a todos os profissionais médicos, independentemente de suas crenças ou convicções pessoais. Quem trabalha com ciência e saúde, sem dúvida, deve perseguir as evidências científicas, em trabalhos médicos corretos e éticos. Os pacientes não podem ser vítimas de suas angústias e sofrimentos psíquicos gerados pelas diversas formas de adoecer. O contacto com a realidade e o limite de cada técnica aplicada é fundamental em qualquer terapêutica. Não podemos colocar, em prol da vida, questões sérias em argumentos filosóficos ou alternativos. O objetivo de tal artigo é, portanto, propor, de forma cristalina e flexível, apenas cautela e bom senso na aplicação responsável e limitada de tais métodos, o que, na prática, infelizmente, ainda não ocorre por todos aqueles que praticam os mesmos.



Escrito por Prof Dr Joel Rennó Jr, MD, PhD às 20h37
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